Stone Temple Pilots no Circo Voador

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Começo da década de 90, movimento grunge invadindo com força a MTV. Eis que surge uma banda rotulada como grunge, mas que, pra mim, sempre foi muito mais do que isso. A sonoridade do Stone Temple Pilots sempre me soou muito mais cheia, com um instrumental muito mais trabalhado do que os outros expoentes da geração.

Dito isso, dá pra se ter uma ideia do quanto eu queria vê-los ao vivo.

O show foi ótimo. A única coisa que incomodou um pouco, foi o fato do sr. Scott Weiland ter deixado a ótima voz que sempre teve, em algum dos anos de excessos em cocaína e heroína. Não que esteja TOTALMENTE sem voz, mas perdeu bastante o que sempre foi sua marca registrada.
O resto da banda continua afiada. O batera Eric Kretz não decepciona e os irmãos DeLeo (Dean e Robert, guitarra e baixo, respectivamente) são a principal atração do show.

Um dos pontos altos foi protagonizado justamente pelo baixista Robert DeLeo. Ao violão, ele começou a levar Garota de Ipanema e foi prontamente acompanhado por toda a plateia do Circo Voador. Ponto pra ele.

A apresentação foi recheada de clássicos. Começou com Crackerman e seguiu com Wicked Garden e Vasoline.
Do álbum mais recente (Stone Temple Pilots, lançado em maio desse ano), tocaram apenas Between the Lines, Hickory Dichotomy, Cinnamon (a melhor do disco, pra mim) e Huckleberry Crumble.
Big Empty, Plush, Interstate Love Song e Sex Type Thing causaram a comoção esperada.
Completaram a apresentação Heaven and Hot Rods, Still Remains (uma das que eu mais gosto), Silvergun Superman, Down e a bela cover de Dancing Days, do Led Zeppelin.

O bis contou, além do improviso de Garota de Ipanema assim que voltaram pro palco, com Dead and Bloated e Trippin’ on a Hole in a Paper Heart.

Sentiram falta de algo? Pois é, eu também.
Uma banda antiga que nunca veio ao Brasil sempre gera uma expectativa enorme e é inevitável algumas músicas ficarem de fora. Algumas que eu acho que poderiam ter entrado: Days of the Week, Coma, Lounge Fly, Unglued, Army Ants, Adhesive… a lista é grande, mas até entendo essas terem ficado de fora. Só não me conformo por outras quatro não terem entrado: Creep, Big Bang Baby (pedida exaustivamente pelo público), Lady Picture Show e Sour Girl.

Podia ter sido melhor, mas gostei bastante. E a julgar pelos comentários e pelas caras de todo mundo, o STP cumpriu bem o seu papel.

Ouvir ou não ouvir?

1 Comentário

Há pouco tempo vi o @flaviocobain perguntando se as pessoas costumavam ouvir músicas de uma determinada banda alguns dias antes do show que irão assistir.

Aí eu fiquei me perguntando se as pessoas tem algum tipo de “ritual” que antecede os shows que estão pra assistir.

Já ouvi e vi várias formas de encarar isso.

Tem os que preferem não ouvir nada da banda nos dias anteriores ao show, como esse meu amigo. Acham que é como estudar em cima de uma prova de vestibular.

Outros passam a semana inteira ouvindo a banda sem parar. Eu me encaixo nesse tipo de pensamento (como minha lastfm não deixa mentir, com Stone Temple Pilots até o talo). Acho legal essa coisa de “entrar no clima” nos dias anteriores. Um show gringo sempre gera uma expectativa grande, e a melhor forma de ir me animando é ouvindo em casa o que ouvirei muito mais empolgado ao vivo.

Tem também aquele povo que fica no estacionamento da casa de shows com o som do carro alto demais. Além de ouvir faz com que os outros ouçam forçadamente. Aqui no Rio isso fica bastante evidente no estacionamento do Via Parque, em shows no Citibank Hall. Acho uma leve falta de educação.

E tem também a galera que vai ao show, sai extremamente empolgada e, assim que entra no carro, coloca um cd da banda que acabou de assistir pra rolar. Alguns amigos fazem isso, mas também não curto muito. Prefiro comentar sobre o show que acabei de ver.

E vocês, tem alguma preferência pré e pós shows?

Planeta Terra

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Phoenix, Pavement e Smashing Pumpkins.

Uma lançou o melhor disco do ano passado, na minha opinião (Wolfgang Amadeus Phoenix), e as outras duas fizeram com que eu voltasse bonito pra 1993… 1994….. fortes responsáveis pela minha formação musical. Billy Corgan mandando bem como sempre. E a galera que ele recrutou pra tocar junto, toca DEMAIS. Me arrisco a dizer que são até melhores que a banda original.

O show do Phoenix foi extremamente correto. Ao contrário do que li na net, achei o show muito bom. Bastante semelhante a todas as apresentações deles ao redor do mundo. A banda não faz firulas, não fala muito com o público, mas dá o recado da melhor forma possível. Tecnicamente ótimos, bastante fiéis ao estúdio. Alguns improvisos malas por parte dos guitarristas, mas nada que afetasse o que vinha sendo feito. E o vocalista Thomas Mars sendo carregado pela plateia foi bem legal.

Pavement tocou “apenas” 22 músicas, começando com um clássico (Gold Soundz) e fechando com outro (Here). Com direito a vários outros no meio do caminho. Pouca coisa, né?
Guitarras distorcidas, som alto, no talo, muita “barulheira”. Tudo como boa cartilha do rock alternativo do começo dos anos 90 manda. Tempos que a MTV passava muita música boa e eu era o ET do colégio porque ouvia rock (salve o ‘Lado B’, do Reverendo Fábio Massari) enquanto quase todos só ouviam funk/pagode.
Stephen Malkmus deve ter comentado com o resto da banda “ae, rapêize, aquele careca escroto vai tocar depois…. vejamos se ele consegue nos superar”. Se a ideia foi se divertir tocando tudo que sabem e dar trabalho pro Smashing Pumpkins, conseguiram. E conseguiram MUITO bem.

Aí veio a banda do “careca escroto”.
Smashing Pumpkins foi realmente voltar à adolescência. Na primeira passagem deles pelo Brasil, eu era pirralho e não pude ver. Fiquei em casa puto, querendo estar na Apoteose. A espera valeu a pena.
Billy Corgan, se ligando no show anterior, deve ter falado pros companheiros “criançada, temos de fazer melhor”. E fizeram.

Muita gente reclamou que o show foi chato, que o Billy Corgan não empolga. Não dá pra esperar que um cara que escreveu 1979 corra e pule como um Bruce Dickinson da vida. Show errado, galera. Ele foi o que ele sempre foi e não há nada de errado nisso. Alguns clássicos, músicas novas e, como já disse, uma banda MUITO boa. Destaque para a baixista gata e competente e pro batera com cara de recém saído do 2º grau, fã de Daniel Larusso.
Voltando à polêmica da “falta de hits”, a coisa mais chata pra uma banda é não poder tocar músicas novas. E o que o povo daqui mais reclama, é quando vem uma banda com anos de carreira e eles não privilegiam os clássicos no setlist. O grande problema é que essas bandas não tocam aqui com a mesma frequência que lá fora, então fica quase como obrigação alterar o setlist pra shows em território brasileiro.
Não vejo o menor problema no que o Smashing Pumpkins fez. Algumas músicas que eu queria ouvir ficaram de fora, mas compensaram isso com vontade e competência. Um showzaço.

Ahh, também vi Mombojó, que adoro e nunca tinha visto ao vivo. Gostei bastante do show deles. Quero ver novamente num lugar menor, tipo o Circo Voador.

Agora falando do festival em si…
Um banho no SWU. Em todos os aspectos.
O Planeta Terra acontece num local muito bem localizado. Até pra quem não é de São Paulo, como eu, é fácil de chegar. Disseram até que rolava um esquema de traslado do terminal Barra Funda do metrô (algo assim) até o Playcenter. Não sabia com antecedência, então fui de táxi mesmo.
Evento bem organizado, bem estruturado, som perfeito, sem toda aquela propaganda megalômana do SWU. Não precisaram da desculpa fake da “sustentabilidade”. Além de pessoas da organização dando informações a todo momento e em todo lugar. Facilidade pra pegar cerveja e comprar tickets de bebida e comida. Quando alguns amigos foram lanchar, a fila estava grande, mas organizada. O atendimento até que foi rápido.

Ah, e os brinquedos do Playcenter liberados são uma diversão a mais. Pra quem é menos cagão do que eu, claro.

Um dia pra entrar pra história. Pra minha história, pelo menos.

Miike Snow

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Se você não conhece a banda Miike Snow, me sinto na obrigação de perguntar em qual planeta você vive.
Ok, exagero meu. A banda realmente não é conhecida do grande público, mas quem gosta de indie rock já está cansado de saber do que se trata.

Recentemente eles foram responsáveis por uma chuva de comentários no mundinho internético-alternativo brasileiro. Principalmente carioca. Tudo porque a banda tinha shows agendados pro Brasil, inclusive pro Rio de Janeiro, mas os organizadores resolveram cancelar a apresentação daqui, por medo de não haver público suficiente. Isso resultou na mobilização mais maneira que já ocorreu pra trazer um show gringo: 60 cariocas empolgados se uniram pra, simplesmente, custear a apresentação da banda em solo carioca. E o show será hoje, dia 20 de setembro, no Circo Voador. E eu, feliz da vida, estarei lá.

A banda foi formada na Suécia, em 2007, por Andrew Wyatt e pelos produtores Christian Karlsson e Pontus Winnberg. Essa dupla de produtores já foi responsável por gente do calibre de Madonna, Britney Spears e Kylie Minogue. Se o talento delas é duvidoso (excluindo a tia Madonna dessa), é inegável que os trabalhos são ALTAMENTE bem produzidos.
O som é um indie rock/pop, com batidas eletrônicas bem sacadas, longe de passar da mesmice que normalmente caracteriza esse estilo. Abaixo uma das melhores músicas do, até então, único disco deles:

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