Ansiedade. Todo mundo falando em volta. Impaciente. No trabalho. Atendendo os poucos infelizes que insistem trabalhar nesse dia, que mais parece feriado. Mais ansiedade. A Copa realmente ia começar. Até então, por mais que já tivesse começado, faltava algo. Até então a única coisa que me fazia comentar sobre a seleção, era cornetar o anão que a dirige. Mas foi chegando perto. E esse vício que se chama futebol foi falando mais alto. Seleção brasileira. Copa do Mundo é só de 4 em 4 anos. Posso discordar da maior parte dos convocados, mas foram esses os convocados. Então tem que ser isso mesmo. Pra cima deles. 15:00. Apaga-se a luz do setor. Telão ligado. Já viro de costas para o computador e passo a não dar atenção a mais quase nada e ninguém. Síndrome das pernas inquietas batendo com força. Galvão e Casagrande falando besteira. CALABOCA, COMEÇOU O HINO. O hino nacional. Sou o único anormal que observa com extrema atenção e fica calado, cantando o hino internamente? Começa o jogo. Nada acontece. Seleção não cria. Mesma coisa de sempre, mesmo padrão tático que eu não gosto. Começam os comentários tortos. Mando duas meninas calar a boca e parar de falar do Kaká e da parte estética dos jogadores. “Grosso!” Eu sei, obrigado. É o Brasil numa Copa do Mundo, não me perturbem.

Intervalo. Beber água.

Segundo tempo. Gol! GOL, PORRA!! Desculpem, puristas, a educação passa longe durante a prática esportiva. GOL DE NOVO, PORRA! Mas ainda sem criar direito. Ainda jogando burocraticamente. Ainda com as pernas balançando. Gol dos nortecoreanos. Acaba o jogo. Comentários não muito positivos sobre a atuação. Sempre a mesma coisa. Eu não aprendo.

E daqui a pouco começa tudo de novo.
Eu não podia ter nascido viciado em xadrez? Sofreria muito menos.