Primeiramente, deve-se dizer: Tron: O Legado NÃO é um remake. Já li em alguns lugares e ouvi algumas pessoas falando isso (inclusive no cinema). Trata-se de uma continuação do clássico Tron: Uma Odisséia Eletrônica, de 1982 (um ótimo ano para humanidade, já que Tron e ET foram lançados e eu nasci).

O filme novo é… ok.
Tá, exagero meu falar apenas isso. O filme é bem legal, na verdade. É um Tron meio Matrixiano, mas, ainda assim, é Tron.

A história começa ainda na década de 80, com o persongaem principal do primeiro filme, Kevin Flynn (Jeff Bridges), conversando com seu filho e dizendo que, um dia, o levaria para a Grade. Aí papai sai pra trabalhar e nunca mais volta.

O tempo passa, o garoto Sam Flynn (Garret Hedlund) cresce e, após sabotar lindamente o lançamento de um novo sistema operacional da sua própria empresa – que passou a ser controlada por uns Bills Gates mega empresários da vida, totalmente capitalistas e com política empresarial voltada apenas para o lucro, pensamento contrário à ideia inicial de software livre – ele acaba indo ao antigo fliperama onde o pai jogava, encontra seu escritório e acaba sendo jogado para dentro da Grade.

A partir daí as coisas ficam um tanto arrastadas. A parte visual começa a se destacar e o roteiro perde um pouco a pegada. Após um tempo (e alguns fatos que é melhor não falar, pra evitar os malditos spoilers) ele acaba encontrando o pai desaparecido, com a ajuda de Quorra (Olivia Wilde, a Thirteen do seriado House) uma ISO que o salva durante uma batalha contra os enviados de CLU (o clone malvado do papai). O pai explica que está exilado nesse mundo tecnológico e que CLU precisa do seu disco para poder passar para o nosso mundo e, assim, expandir seus domínios para além da Grade.
O plano então passa a ser atravessar o portal que liga os dois mundos, e que só pode ser aberto por “fora” (ou seja, através do nosso mundo). Quando começam a executar isso, a história melhora um pouco e o filme empolga novamente. Os combates, ainda que poucos, são privilegiados pelos efeitos de hoje e a sequência de fatos cria um clima de tensão bem maneiro.
O clichê é inevitável mas fecha bem a história, com direito a uma ótima virada de um dos personagens centrais da trama (tanto da nova quanto da antiga).

Apenas mais três comentários que são pertinentes.

1º) A trilha sonora, criada totalmente pelo duo francês Daft Punk, dita o ritmo da história. Ficou MUITO boa. E eles ainda aparecem no meio do filme.

2º) Eu nunca havia visto filme com a tecnologia 3D. Achei legal, mas esperava mais pelo tanto que é comentado. Apenas em alguns poucos momentos pude realmente ter a sensação tridimensional. Principalmente em cenas estáticas ou sem muito movimento. Nessas dava pra se ter a noção de profundidade à que se propõe essa tecnologia. Em cenas de maior movimento, como nos combates, não vi praticamente diferença nenhuma.

3º) As referências e analogias ao mundo da informática deixam qualquer nerd feliz da vida. Sistemas operacionais, opensource, arquivos ISO, toda a estrutura da Grade, a alocação dos arquivos quando entram no sistema… tudo faz você lembrar algo que conhece ou que, ao menos, já viu/ouviu falar alguma vez na vida.