O Natal deve ser a época que mais muda com o passar dos anos.
Não de uma forma aberta, declarada. O sentimento coletivo é (quase) sempre o mesmo. Mas o que cada um sente vai mudando aos poucos.

Quando a gente é pequeno tudo é festa. É comer, se entupir de refrigerante, brincar com os primos e esperar o Papai Noel pra te encher de presentes. Mas aí a gente cresce. O Papai Noel deixa de existir. Você começa a ver que nem tudo na família são flores, que existem inúmeros defeitos, sacanagens, coisas que você não concorda… Os mais velhos começam a ir embora, a gente envelhece, preocupações, medos, anseios. Saudade.

Na minha família o Natal sempre foi uma parada grande. Proporcional à quantidade de pessoas presentes.
Quando pequeno, íamos todos para a casa da minha avó. Lembro perfeitamente de eu e meus 4 primos brincando, até perto da meia-noite. Aí algum tio dizia pra gente ficar sentado olhando pro relógio da cozinha, porque assim o Papai Noel não ia se atrasar. Meia-noite, presentes, Comandos em Ação, festa.
Aí depois de um tempo a festança mudou pra casa de um tio. Minha avó já estava ficando velha e era trabalhoso demais pra ela em casa. Papai Noel não existia mais. Mas ainda era legal.
Meus avós maternos morreram. Já perdeu bastante o sentido da festa. Minha avó paterna foi há 2 anos. Acabou totalmente o sentido. Ainda nos reunimos na casa desse mesmo tio, mas não é mais a mesma coisa. Minha avó era o maior elo de ligação da família. Ontem, à meia-noite, olhei pro local onde falei com ela pela última vez. Saída estratégica pela esquerda em busca de mais uma cerveja.

Enfim, apesar de tudo, sempre lembramos dos que fazem isso aqui valer a pena. SMS’s pros amigos, abraços em pai, mãe, irmã, primo… e mais SMS pros 3 primos que estavam em outro local.
A sensação não é mais a mesma de quando pequeno, mas o sentimento pelos mais próximos se mantém. E o desejo de que todos, próximos ou não, sejam felizes, também se mantém. E isso faz tudo ter sentido.

Ho, ho, ho!