Ontem eu estava lendo a coluna do Matheus Souza na Megazine (sabem como é… a leitura de um jornal pode demorar uma semana devido à sua localização estratégica: o banheiro) e ele enumerou algumas coisas que são marcantes no Rio de Janeiro, na sua opinião, por conta da estreia do filme “Rio”. O colunista passou longe dos clichês, fez uma lista bem pessoal. Achei a ideia legal e estou xepando descaradamente pra cá.

Ah, vale dizer que ainda não vi o filme, então, apesar de saber algumas coisas que aparecem na história, vou falar de coisas bem pessoais que podem, ou não, aparecer também no filme.

Voltar da Zona Sul pela Enseada de Botafogo:
Costumava fazer isso na época que a Bunker ainda existia. Apesar de boite ficar em Copacabana e a forma mais rápida de voltar pra Ilha do Governador ser a Linha Vermelha, era normal o motorista da rodada voltar pela Enseada, só por causa da vista. Muito melhor dar de cara com o Pão de Açúcar do que com os prédios do Rio Comprido depois do Rebouças.

A Bunker:
Todo mundo teve um lugar preferido pra sair à noite. O meu (e de muitos amigos) foi a Bunker.
Não tinha mistério. Sexta-feira era quase obrigatório ir lá. Podia não ter dado tempo de marcar nada com ninguém. Não precisava. Todo mundo sabia que, por volta das 10 da noite, os mesmos amigos estariam no boteco ao lado (histórico Bem Estar II) ingerindo bebidas de procedência duvidosa antes de entrar na casa. Como era bom sair com míseras 30 pratas, gastar 10 de entrada e usar o resto apenas pra consumir.
Atualmente o lugar virou Lojas Americanas. E toda vez que passo por lá lembro das sextas-feiras na porta da boite.

Passar pela ponte da Ilha voltando de viagem:
Quem mora na Ilha vai entender. A gente fala mal, xinga, diz que quer sair daqui… mas voltar pra Ilha após uma viagem é uma experiência única. Morar num bairro que é delimitado por uma ponte tem suas particularidades e essa é uma delas. Só de passar pela ponte já dá aquela sensação de “tô em casa”. Mesmo pra quem mora no fim do bairro, como eu. O clima aqui é diferente, já que tem água por todos os lados. Sempre que chego de viagem está agradável, um ventinho maneiro. A sensação é inexplicável e boa.

Carnaval/réveillon/qualquer época em Cabo Frio:
“Ah, não é na capital”. Foda-se a lista é minha. Os melhores carnavais da minha vida foram em Cabo Frio. Cabofa, pros chegados. Viradas de ano, feriados em geral ou só uma ida pra lá sem ser alguma data especial. Desde pequeno sempre gostei muito da cidade. Búzios e Angra podem ter aquele glamour global em torno delas, mas Cabo Frio vai ser sempre Cabo Frio.

Lapa:
Além da Bunker, outro lugar que sempre fez parte das opções de noite foi a Lapa. Nada pra fazer? Nenhuma festa legal? Tá duro pra boite? Vai pra Lapa, ficar andando pela rua, comprando cerveja na tia do isopor, vendo as pessoas passando ou, há tempos atrás, indo pro escadão. A possibilidade de encontrar alguém conhecido é enorme. Sobretudo se você conhecer o Mirrela.

A beleza do Centro do Rio:
Quando era pequeno ouvi alguém falando isso e achei um absurdo. Não tinha como ser diferente: pra uma criança o Centro era apenas um lugar caótico, onde as pessoas trabalhavam e andavam esbarrando umas nas outras.
Depois de mais velho eu comecei a reparar como aquele lugar é absurdamente interessante. Seja pela quantidade enorme de mulher bonita que anda por lá, principalmente no horário do almoço, ou apenas por todo o ambiente local. A arquitetura clássica e moderna juntas, a correria das pessoas, os tipos únicos da Cinelândia, o Theatro Municipal. E já se deram ao trabalho de prestar atenção no Centro com ele vazio, nos finais de semana? Não tem nada igual.

As praias vazias:
Posto 9 tem o seu charme, a cada ano tem um lugar da moda diferente em Ipanema, Arpoador é o pico do surf, Leblon e Barra teu suas pseudo-celebs… mas eu gosto é de praia sem tumulto. O meio do Recreio, onde não tem nem quiosque, a Prainha ou Grumari são as melhores praias do Rio de Janeiro. Sem bebê chorando, areia voando na sua cara e só o barulho do mar. Terapia de relaxamento.

Podrão:
Isso é, praticamente, uma instituição carioca. Os da Lapa são clássicos. O coroa da van perto do Empório (que ficava em frente ao Luizinho, que vendia cerveja no seu carro) e aquele em frente ao Ballroom (é, Ballroom… vários domingos comendo podrão caro e esperando pelos shows que sempre atrasavam). Hoje há uma podrãonização… qualquer lugar tem uma barraquinha. Mas eu não tenho mais comido tanto assim na rua, então não dá pra eleger o melhor.

Reclamar da cena cultural da cidade:
Por quê? Porque ela realmente é vergonhosa.
Ok, “vergonhosa” talvez seja exagero, mas que podia ser BEM melhor, podia…