Acho que já deu pra entender o que eu acho do cara, né? Retardado, doente, pino-frouxo, maluco, 22 e qualquer outro sinônimo/adjetivo do gênero.
Como já falei em algumas conversas e até no twitter, casos como esse que ocorreu aqui no Rio não me chocam mais. Me deixam puto, fico triste pelas vítimas e suas famílias. Mas chocar não. Longe disso.
O que me impressionou realmente foram algumas opiniões emitidas por pessoas bem criadas, que certamente estudaram em colégios de medianos pra bons e que, mesmo assim, proferiram algumas diarreias na forma de palavras. Discriminação, preconceito, ódio desmedido, vingança… sentimentos bastante reprováveis no ser humano e que, num primeiro momento, até seriam compreensíveis num caso desses. Mas após os ânimos acalmados e em conversas civilizadas, algumas opiniões deveriam ser repensadas. Não foram.
Li/ouvi sobre pena de morte, proibição de venda de armas para civis (e o referendo de 2005 foi citado inúmeras vezes). guerra urbana, violência no Rio de Janeiro, desnível social…
Não quero dizer, com isso, que considero ele uma vítima da sociedade. Uma vítima, talvez. Mas não da sociedade. Esse termo, por sinal, me irrita bastante. Na maior parte das vezes ele é utilizado de forma errada, pra justificar um erro cometido por algum hijodeputa criminoso, mas que os direitos humanos protegem. Como no caso do ônibus 174.
No caso de Realengo o cara era um doente mental. Um doente que não foi tratado quando pequeno, que era filho de uma mãe esquizofrênica, que era humilhado na escola (e bullying pra mim é outra palhaçada, mas isso é assunto pra outro post. apenas digo que, dessa vez, ele influencia sim), rejeitado, não tinha amigos, era feio pra burro, ignorado pelas meninas e fanático religioso. Só podia dar merda, né?
Quando pequeno eu era a favor da pena de morte. Agora a única coisa que me ocorre é: quem sou eu – ou qualquer outro – pra decidir quem vive ou morre? Não falo isso pelo aspecto religioso. Quem é mais próximo a mim sabe que isso não se aplica à minha pessoa. Mas por mais que um crime tenha sido cometido e nele uma vida tenha sido tirada, quem somos nós pra decidir que essa pessoa deve morrer? Decidir que a mãe dessa pessoa deixará de ter seu filho vivo, ainda que preso? Que sua esposa ficará viúva e que seus filhos serão órfãos de pai? Não deve ser uma responsabilidade legal de se carregar nas costas.
Quanto à questão das armas, ele arranjaria de qualquer jeito. Ele não foi numa loja e comprou com nota fiscal. Ele não fez curso de tiro e nem tem porte (até porque não seria aprovado no psicotécnico). Tráfico de armas existe pra isso. Mercado negro, de qualquer mercadoria, existe desde que o comércio foi inventado. E ainda que não arranjasse armas de fogo, usaria facas, machadinhas, faria uma bomba a partir de pesquisas na internet…
No caso desse Wellington o ódio dele era contra os “impuros”. As meninas que não davam atenção pra ele, e que na mente deturpada dele eram vagabundas impuras, foram as principais vítimas. Na verdade o que mais chocou a todos foi o fato de serem crianças. A loucura dele podia ser outra. Podia ser contra garis que não limpavam direito a rua dele quando pequeno. Contra médicos por não terem salvo a vida de algum parente em algum momento da vida dele. Ou podia ser apenas contra tudo e todos e ele andaria em plena avenida Rio Branco largando o prego em todo mundo.
Desnível social? Guerra urbana? Não, gente… a questão é muito diferente dessa. Não foi um ato ocasionado por um problema geral. Era um problema específico de uma única pessoa.
Dizer que pessoas como ele merecem a morte, antes mesmo de qualquer ato hostil, é de uma ignorância enorme. E de uma injustiça enorme também. Se ficasse vivo merecia ser condenado. Pelas leis. Não pelo povo. Acabaria sendo linchado, o que eu também consideraria errado.
Enfim… foi um fato terrível, que todos gostariam que fosse evitado. Ao mesmo tempo foi um fato imprevisível.
Caso o problema do Wellington viesse sendo tratado desde a sua infância, acredito que nada disso teria acontecido. Se nós, humanos “sãos”, já somos passíveis de atitudes horríveis em momentos de pressão, imaginem doentes que nunca foram tratados nem nunca tiveram a devida atenção. Isso sem contar que problemas mentais podem ocorrer com qualquer um. Comigo. Com você. Com seu irmão. Até com o Sunda.
Não sei se me fiz entender muito bem, se as ideias estão bem expostas. Só fiquei bastante incomodado com algumas coisas que li (até de pessoas próximas) e que me fazem acreditar que pode haver outros Hitlers por aí.
No final das contas, se analisarmos friamente, foi tudo uma grande fatalidade.



abr 10, 2011 @ 12:08:41
Eu concordo com quase td que vc falou, com a diferença de que eu ainda sou a favornda peja de morte. Nesse caso, entretanto, ela não faria a menor diferença, já que ele se mataria de qlq forma.
abr 11, 2011 @ 09:39:42
Acho que melhor que a pena de morte seria um sistema carcerário eficiente, onde poderiam existir cursos e os presos trabalhariam pra contribuir com a sociedade. A ideia da prisão é reabilitar a pessoa (ou tentar). Da forma que ocorre no Brasil, a chance de reabilitação é quase nula.