Estava lendo a Revista Trip de novembro (pois é, minhas leituras estão bastante acumuladas), e me deparei com uma matéria bastante interessante. Falava sobre cultura e como, nos últimos anos, mudou a forma dela ser difundida. Se antes era uma coisa distante entre os meios e o público, agora é muito mais dinâmico, por conta da colaboração desse público.
O que mais me chamou atenção, na verdade, não foi isso. A revista pediu pra alguns leitores escreverem cartas para si mesmos ou para outras pessoas para serem lidas em 2020. Tinha de tudo. De uma mulher na faixa dos 30 anos, falando como é difícil ser bem resolvida perante à sociedade, a uma menina de 22 demonstrando uma certa insegurança e imaturidade normais na idade. De uma mãe, cadeirante, querendo um mundo mais justo e sem preconceitos para os filhos crescerem, até um casal romântico na dúvida se, daqui a 10 anos, o romantismo ainda existirá.
Eu, particularmente, já passei da idade de achar que 10 anos é muito tempo.
Há um tempo atrás, num desses memes da internet (que na época nem era chamado assim… era só uma versão digital do “caderno de perguntas” da 6ª série), havia uma pergunta do gênero. “Onde você se vê daqui a 10 anos?” Eu nunca sabia responder. Sempre respondia “sei lá!”. Achava muito subjetivo… quase um exercício de imaginação. Continuo pensando desse jeito, mas a algumas conclusões dá pra chegar.
O consenso entre todas as cartas dos leitores da revista, era estar feliz. Por isso que eu digo que é meio vago pensar uma coisa dessas. Não é meio óbvio que se queira estar feliz? Sei lá, pelo menos eu acho. Todo mundo fala o óbvio quando recebe uma pergunta dessas. “Quero estar feliz, num bom emprego, constituindo minha família e rodeado de amigos e familiares.” Porra, jura? Maneiro, você e todo mundo que não ouve NX Zero quer isso.
Pretendo estar casado, por exemplo. Ok, talvez não casaaaaado da forma tradicional. Mas quero estar com uma menina maneira construindo algo pra um futuro melhor ainda. Às vezes parece brega falar isso. Homem tem que ter sempre fama de desprendido dessas coisas, eterno solteiro, fanfarrão. Acho que até uns 23.. 25 anos isso é até legal. Faz parte do processo. Agora, com 28, acho que não faz o menor sentido ter essa postura (que eu nunca tive, diga-se de passagem). Ter com quem partilhar as coisas é sensacional.
Acredito demais no presente. Fazer as coisas agora pra, futuramente, desfrutar da ralação desgraçada que é todo começo de carreira. Até porque se eu não acreditasse nisso, não estaria optando por uma área totalmente diferente da que eu já havia começado. Como diria Muricy Ramalho, “aqui é trabalho” (ê trocadilho horroroso). E, pela minha projeção, os próximos 5 anos serão de investimento e ralação puras. Aí sim, quando o futuro virar presente, eu me preocupo com ele.


